Exoneração de secretário de meio ambiente escancara conflito entre interesses ambientais e eventos comerciais em Resende
A recente exoneração de Wilson Moura do cargo de Secretário de Meio Ambiente de Resende (RJ), ocorrida em 6 de maio de 2025, escancarou uma situação alarmante: um gestor público comprometido com a legalidade e a preservação ambiental foi dispensado por se opor à realização de um evento esportivo que violava normas ambientais e direitos privados.
Moura foi retirado do cargo por se recusar a anuir com os percursos originais da corrida TUTAN, realizada nos dias 2 a 4 de maio. Os trajetos pretendiam atravessar áreas classificadas como intangíveis, incluindo propriedades particulares transformadas em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), sem qualquer autorização dos proprietários. A proposta inicial ainda afrontava o Plano Diretor da APA da Serrinha e os Planos de Manejo dessas unidades de conservação — instrumentos legais que garantem a proteção e o uso sustentável da região.
Demonstrando responsabilidade técnica e ética, Moura exigiu alterações nos percursos. Apenas após a apresentação de novos traçados compatíveis com as normas ambientais e com anuência dos proprietários foi concedida a autorização para a realização das provas em áreas permitidas da APA.
Mesmo com essa postura legalista e conciliadora, Moura foi exonerado. Em sua mensagem de despedida aos conselheiros do COMAR (Conselho Municipal de Meio Ambiente), ele esclarece que a decisão foi tomada justamente por ele não ter aceitado endossar a violação de áreas protegidas. Seu desligamento, segundo o próprio, ocorre em um contexto onde a equipe de fiscalização ainda está em campo avaliando os impactos causados por trilhas abertas indevidamente pelos organizadores do evento.
Esse episódio levanta questionamentos urgentes: Qual é o preço de proteger o meio ambiente em Resende? Quem ganha com a flexibilização das regras ambientais em nome de interesses comerciais? E, principalmente: por que um servidor público comprometido com o cumprimento das leis ambientais é punido?
A exoneração de Wilson Moura não apenas configura uma retaliação contra a defesa do patrimônio natural, como lança dúvidas sobre o comprometimento da gestão municipal com a legalidade ambiental. Moura deixa o cargo com dignidade e gratidão àqueles que o apoiaram — e com um alerta claro: o meio ambiente de Resende corre risco quando interesses econômicos falam mais alto que as leis e a ética.
Essa exoneração, longe de encerrar o assunto, deve servir como catalisador para uma mobilização da sociedade civil, do Ministério Público e dos órgãos ambientais superiores, a fim de investigar os impactos da corrida e assegurar que a proteção da natureza continue sendo prioridade, e não moeda de troca.
Depoimentos de atletas:
https://www.instagram.com/reel/DJO6k4QulQZ/?igsh=eG9oeWpsc2tlMzVx
Percurso original:
Novo percurso apresentado durante a prova:
Força Wilson !! Parabéns pelo seu trabalho !!
ResponderExcluirUm absurdo!!! É o aparelhamento da máquina pública para interesses de uma parcela da sociedade.
ResponderExcluirVergonhoso, isso é Brasil.
ResponderExcluirQue absurdo!
ResponderExcluirQuando o dinheiro se torna Sr do homem , trabalhar honestamente se torna uma ofensa aos grandes e poderosos. Wilson Moura pode dormir tranquilo ,pois agiu conforme a lei lhe pedia . Quanto ao resto Lamentável. 🤮🤮🤑🤑
ResponderExcluirWilson Moura ser exonerado, com certeza é uma grande perda para o município. Há anos o profissionalismo de Wilson Moura à frente da secretaria vem se demonstrando. A seriedade e capacidade são alguns Marcos de sua gestão. Uma perda muito grande mesmo. E agora, que venham os gaviões fazer o que querem e certamente farão... Infelizmente!!!
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